Se você não esteve no congresso, queremos contar para você algumas novidades que aconteceram por lá.

Antes de mais nada, as praias são lindas; os passeios de bugues nas dunas, deliciosos; os quartos do hotel Pirâmide muito confortáveis, e houve muitas outras coisas maravilhosas que nossos colegas, o congresso e a região nos proporcionaram! Difícil fazer um bom congresso, com o apelo de praias, sol, piscinas e passeios!

Durante o congresso, pôde-se perceber que a relação entre os profissionais está sendo bem trabalhada, tendo havido iniciativas interessantes, a começar pelo Forum das Associações, uma atividade pré-congresso realizada no dia 20 de outubro, durante o dia todo. Programado entre a AMHB, ABFH, AMVHB e ABCDH, este forum teve como temas:

1 – Homeopatia na ANVISA, relatando a relação com este órgão ligado, ao Ministério da Saúde, responsável pela elaboração de legislações que afetam a todos os homeopatas. Foram abordadas regulamentações específicas para a Homeopatia, assim como questões da Farmacopéia Homeopática. A Consulta Pública 85, sobre a necessidade de registro e sua isenção de registro de medicamentos homeopáticos industrializados foi publicada em 22 de outubro, durante o congresso, estando à disposição dos interessados, para críticas e sugestões, durante 20 dias, no site http://www.anvisa.gov.br. Aguardamos a publicação definitiva.

2 – Assistência farmacêutica: os farmacêuticos estão ampliando seu campo de ação junto à população, especialmente se considerarmos que a poucos anos não se encontrava este profissional em farmácias brasileiras. A proposta da Homeopatia, com a produção do medicamento em farmácias, teve boa parcela da responsabilidade em fixar este profissional nos estabelecimentos farmacêuticos de atendimento público. Discutiu-se sobre a indicação de medicamentos homeopáticos em baixas potências por farmacêuticos homeopatas, mas a conclusão do Forum, aprovada pela Assembléia Geral do Congresso, foi que cabe apenas aos clínicos homeopatas o diagnóstico e prescrição de medicamentos homeopáticos, em qualquer potência, e apenas aos farmacêuticos homeopatas a produção e dispensação dos medicamentos homeopáticos. A discussão dos objetivos e limites da Assistência Farmacêutica, isto é, a orientação aos pacientes relativa à terapêutica homeopática e aos medicamentos homeopáticos, deve ser continuada, também com a participação de representantes das associações homeopáticas clínicas. Deverá ser formado também um grupo multiprofissional, coordenado pela ABFH, para elaboração de um Manual de Boas Práticas de Prescrição, ou seja, uma orientação sobre a forma – não o conteúdo – de elaboração de uma receita homeopática que possa ser perfeitamente compreendida por qualquer farmacêutico homeopata, traduzindo-se na entrega, ao paciente, dos medicamentos imaginados e desejados pelo clínico.

3 – Dose em homeopatia: através de uma pesquisa realizada com 112 médicos homeopatas do Rio de Janeiro, farmacêuticos daquela cidade demonstraram que a maior parte dos entrevistados (79%), não acredita que a quantidade de medicamento dinamizado (presente em glóbulos, tabletes, gotas, papéis, etc) produza uma diferença de ação no paciente. Por outro lado, 20% acredita que esta diferença exista. Esta pesquisa deverá ser ampliada, mas a importância de aumentar nosso conhecimento sobre o assunto já está evidente.

Há planos para continuar este trabalho conjunto nos próximos encontros, assim como de forma permanente entre pequenos grupos e comissões.

TEMAS LIVRES

Em relação aos temas livres, seus resumos foram publicados junto com o programa oficial do congresso. Citamos alguns autores cujos trabalhos nos chamaram a atenção, como Luiz Figueira Pinto, do Departamento de Medicina e Cirurgia da UFRuralRJ, que, preocupado em oferecer uma alternativa ao uso de toxinas por ataques bioterrotistas, apresentou o trabalho teórico “Antraz e o Anthracinum – indicação pela semelhança”.

Marcus Zulian Teixeira (marcus@homeozulian.med.br), responsável pela disciplina de Homeopatia na Faculdade de Medicina na Universidade de São Paulo, levou diversos trabalhos, como a “Avaliação miasmática na pesquisa clínica homeopática: emprego de questionário de qualidade de vida”, também publicado no último número da Revista de Homeopatia, da Associação Paulista de Homeopatia, lançado em Natal. Em seu trabalho percebe-se a preocupação com a avaliação terapêutica global ao longo do tratamento, possibilitando a sistematização e racionalização dos resultados, através do uso deste tipo de questionário. Outros trabalhos do mesmo autor foram “Distúrbio do climatério e tratamento homeopático” e ”Matéria Médica comum: utilização homeopática da patogenesia acidental dos fármacos modernos”, onde é proposta a utilização do efeito rebote das drogas modernas como princípio curativo; “Pesquisa homeopática na Agricultura: premissas básicas”, que prevê o uso de soluções dinamizadas no controle de doenças de plantas.

Haydée Moreira, Mafalda Biagini et al, de Marília (SP), expuseram um trabalho feito com ratas prenhes, sobre possível efeito protetor de soluções dinamizadas de Arsênico, na prevenção dos efeitos teratogênicos do Arsênico.

Os veterinários Bruno Medeiros de Almeida e Luiz Figueira Pinto, preocupados com a qualidade da produção de alimentos, apresentaram um trabalho sobre ”O contexto da Homeopatia na pecuária orgânica no Brasil”,.

Elias Zoby (eczoby@carrier.com.br) apresentou uma pesquisa sobre as Matérias Médicas Puras de Hartlaub e Trinks, não traduzidas para o inglês, e, por conseqüência, pouco conhecidas, ainda que tenham ajudado a formar as matérias médicas de Hahnemann e Allen. Concluiu afirmando que “ o resgate destes textos deixa de ser um simples preciosismo de bibliófilo e mostra-se uma ventura quando em seus sintomas se encontram semelhanças com os dos enfermos. Então a Homeopatia se apresenta em toda sua beleza atemporal e capacidade de curar”.

Roberto Dimenstein (robertod@ufmet.br), professor de Homeopatia no curso de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal, orientou um trabalho apresentado por Silva, Menezes e Gomes, sobre a “Avaliação dos medicamentos homeopáticos prescritos nas receitas aviadas em farmácia homeopática de Natal, RN”, com resultados coincidentes em 60% aos encontrados por nós em pesquisas anteriores.

Polêmico foi o conteúdo de “Perspectiva da homeopatia na Enfermagem: proposta de atuação do estudante de Enfermagem na atenção primária à saúde no estágio rural interado – ERI/UFPB – Campus I”. É possível que possamos ampliar a atuação homeopática através do aumento da equipe multiprofissional, incluindo enfermeiros e farmacêuticos na atenção primária (não no diagnóstico, nem na prescrição ou indicação de medicamentos, mas sim na orientação tão necessária para os pacientes, em trabalho comum com os médicos, dentistas e veterinários homeopatas).

Ângela Lanner Vieira (lannervi@terra.com.br), ex-presidente da AMHB, considerando importante unificar os registros e viabilizar a pesquisa na área clínica, apresentou nova proposta de ficha clínica.

A Homeopatia em Saúde Pública esteve representada por um grupo de São Paulo (os médicos Corrado Giovani Bruno, Áurea Pascalicchio e a farmacêutica Alcione de Alencar Rocha, aureapa@isaude.sp.gov.br), que apresentou “A medicina complementar nos sistemas de saúde: desejos e possibilidades na oferta de homeopatia no Sistema Único de Saúde do estado de São Paulo no ano 2001” assim como “Homeopatia na cidade de São Paulo”. Ainda na área de Saúde Pública, entre outros, Dalva de Andrade Monteiro (dalva-am@uol.com.br), da Bahia, abordou o homeopata e o Programa da Saúde da Família (PSF). Gíssia Galvão e Edivaldo Barbosa da Silva apresentaram “ A Medicina homeopática na rede pública do Estado do Rio de Janeiro”.

OUTRAS ATIVIDADES
Houve ainda lançamento do livro do Dr. José Laércio do Egito, responsável pela divulgação da Homeopatia e homenageado durante o congresso. Sua obra é intitulada “ Homeopatia – Conceitos Filosóficos. Visão Metafísica da Angústia Existencial”.

O italiano Paolo Bellavite foi responsável pelas conferências “Imunologia e Homeopatia – Estudos Experimentais”; “O Similimum como Princípio Heurístico”, Comunicação Biológica, Teoria dos Sistemas Complexos e Homeopatia e um painel sobre Imunologia.. Suas apresentações tiveram grande assistência, tendo agradado a muitos e também trazido inquietações a outros. Aproveitando a oportunidade, lançou seu livro editado agora em português: “Medicina Biodinâmica – A Força Vital: suas patologias e suas terapias”.

CURSOS – CINQUENTA-MILESIMAL
Houve muita procura pelo curso ministrado pelo médico Ubiratan Adler e a farmacêutica Amarilys de Toledo Cesar, proposto para clínicos e farmacêuticos, que enfocou o histórico do desenvolvimento dos medicamentos por Hahnemann, a partir da 5ª edição do Organon, até a publicação da 6ª edição, apresentando detalhes sobre o preparo, a posologia e 2 casos clínicos. A boa novidade é que o curso será repetido em São Paulo, no dia 30 de novembro, sábado, das 9:00 às 18 horas, na APH, Associação Paulista de Homeopatia, rua Dr. Diogo de Faria 839, São Paulo, SP. Informações e reservas através do telefone .

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