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Uma característica do remédio alopático é, de fato, a presença de bula, que informa, e muito bem, as propriedades do remédio, mas numa linguagem direcionada para os médicos. O leigo, ao consultá-la, com certeza será induzido ao erro, pelo desconhecimento do significado da terminologia usada. Tomar um remédio para dor de cabeça sem saber a sua causa poderá, por exemplo, levar a uma dor de estômago ou, o que é pior, mascarar a moléstia real em curso.

Quando utilizamos a medicina homeopática para tratamento, uma das coisas que nos chama a atenção é a ausência de bula nos frascos de remédio. A Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas divulgou panfletos, em excelente trabalho de esclarecimento, explicando que o frasco de medicamento original e manipulado de acordo com a prescrição médica, deve conter:

1) A identificação do nome do estabelecimento (farmácia), com endereço, cidade, Estado e CNPJ – para garantir ao paciente que se trata de uma empresa que obedece as normas legais.

2) Nome do farmacêutico responsável e seu número de inscrição no Conselho Regional de Farmácia, assim como o nome do médico que fez a prescrição e seu competente registro no Conselho Regional de Medicina.

3) Nome do medicamento (por exemplo, Arnica montana); a potência (quantidade de vezes que o remédio foi dinamizado), que é indicada por um número; e o método de dinamização, o qual é representado por uma ou duas letras, em geral CH (centesimal hahnemanniano). Isso fica assim estampado no rótulo do frasco: Arnica montana 3 CH.

4) Fórmula farmacêutica, ou seja, glóbulos, tabletes, cápsulas, papéis, líquido; veículo, que pode ser sacarose (açúcar de cana) ou lactose (açúcar do leite), para a forma sólida, ou uma solução hidroalcoólica, para os líquidos; discriminação no rótulo do peso em gramas ou do volume em mililitros. Em relação à forma de apresentação, alguns critérios devem ser observados, considerando-se que pessoas diabéticas ou sensíveis à lactose devem preferir líquidos. Já pacientes com restrição de ingestão alcoólica devem preferir a forma de tabletes, glóbulos, papéis ou cápsulas.

5) Data de manipulação, isto é, quando o remédio foi fabricado, e sua validade (até quando o medicamento pode ser utilizado).

6) Via de administração (se de uso externo ou interno – para beber, mastigar, engolir)

Diante de qualquer dúvida, o farmacêutico tem a orientação de contatar o médico do paciente imediatamente.

Como se pode perceber, diante de todos esses cuidados, a automedicação torna-se bem mais difícil.

O grande norte da medicina homeopática é, na verdade, a individualização, que não mantém o foco nas doenças, mas sim nas pessoas que apresentam desequilíbrios e que, por isso, têm a saúde debilitada. Em homeopatia, não existe dor de cabeça pura e simplesmente, mas sim dor de cabeça que faz os olhos lacrimejarem, dor de cabeça do lado direito, dor de cabeça em salvas, dor de cabeça que aumenta com a luz, dor de cabeça após as refeições, etc. Cada uma delas requer um remédio específico. É por isso que o médico homeopata dedica muita atenção a todos os sintomas relatados pelo paciente, pois eles traduzem uma reação individual reveladora.

Para um diagnóstico correto é preciso investigar o corpo físico, a alimentação, os hábitos pessoais, o lado psicológico, os desejos, a filosofia de vida, o ambiente familiar e profissional do paciente. Quanto mais informações, maior a possibilidade de um resultado positivo rápido. É comum dizer-se que o tratamento homeopático é mais lento que o alopático. Isso, porém, não é verdade, já que cada paciente tem seu tempo próprio para reagir aos medicamentos.

De qualquer maneira, o paciente também precisa fazer a sua parte. Ele deve, por exemplo, tomar os remédios nos horários prescritos. Se precisar seguir algum tratamento alopático, tomar uma vacina ou utilizar qualquer tipo de pomada, ungüento, creme, óleo ou pasta, ele deve ligar antes para o homeopata.

Como os medicamentos homeopáticos não apresentam efeitos colaterais ou reações adversas, caso surjam sintomas diferentes após o início do tratamento, o paciente não deve ficar esperando o retorno da consulta para relatar o ocorrido ao médico, mas informá-lo logo para receber a devida orientação.

Alguns outros cuidados também devem ser observados, como evitar ou diminuir a ingestão de qualquer tipo de estimulante, caso do café e do chá- mate, por exemplo. Bebidas alcoólicas também devem ser evitadas, principalmente as destiladas, como aguardente, gin, uísque e vodca. A ingestão moderada de vinho ou cerveja, para quem está habituado, precisa ser autorizada pelo médico.

Recomenda-se não usar qualquer produto, seja de uso pessoal ou de limpeza doméstica, que contenha cânfora em sua fórmula, porque ela poderá anular a ação do medicamento homeo-pático.

É importante que, ao buscar a homeopatia, seja estabelecido um relacionamento de confiança, segurança e respeito entre paciente e médico, pois a mudança do profissional de saúde, no meio do tratamento, reinicia a pesquisa do diagnóstico. Além do mais, os sintomas inicialmente referidos podem ter-se alterado, o que dificulta a nova avaliação e leva a prescrições equivocadas.

Se o que levou o paciente a procurar um homeopata não é o desejo de substituir o tratamento alopático, então, o diálogo é fundamental, porque há um período muito especial em que, gradativamente, a medicação alopática é suspensa e a homeopática, introduzida.

A maneira de tomar o remédio deve seguir exatamente a prescrição do médico, pois ele sabe a forma mais eficiente para cada caso. Se a recomendação é para que seja tomado o medicamento em jejum, isso significa que a ingestão deve ser feita 30 minutos antes de qualquer alimento ou outro remédio. Se é para dissolver os glóbulos na língua, não se deve beber água junto. Quando o remédio pode ou deve ser tomado com água, o médico faz referência a essa situação na receita.

A automedicação, decisão de tomar remédios para as mais variadas doenças sem orientação médica, é totalmente condenável. Coibir essa prática, porém, não é tarefa das mais fáceis, visto que, se entrarmos numa farmácia e pedirmos um remédio para dor de cabeça, o vendedor nos fornecerá pelo menos cinco opções: comprimidos grandes, pequenos, amarelos, brancos, cor-de-rosa, com preços igualmente variáveis. Mas como se sabe que esses remédios são realmente indicados para dor de cabeça – um sintoma associado a muitas doenças, que vão desde a dengue até a meningite, passando pela gripe? É só ler a bula.

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