“O vento é o mesmo, mas sua resposta é diferente em cada folha” (Cecilia Meirelles). 

Estaremos aprofundado o conceito de Enfermidade, na Filosofia da Homeopatia. Trata-se de tarefa complexa, na medida em que os pacientes estão acostumados ao conceito de Enfermidade da Alopatia.

Tomando como exemplo um caso de enxaqueca, o médico homeopata começa sua consulta indagando como ela é sentida. Seguem-se perguntas de como é a dor, onde ela se localiza, desde quando se manifesta e outros detalhes mais. De início, são perguntas parecidas com as que fazem os médicos alopatas. Mas as semelhanças param por aí…

A partir de um determinado momento do levantamento da história do paciente, a Anamnese, as perguntas começam a seguir um rumo mais abrangente, com o médico homeopata buscando conhecer profundamente o indivíduo como um todo, não apenas em relação ao quadro de sua enxaqueca. Fica, então claro, que na Homeopatia a relação médico- paciente é radicalmente diferente.

Não basta ao médico homeopata o conhecimento do caso, em si, mas informações completas que lhe permitam saber a maneira particular de sentir do paciente, a estrutura de seus sentidos, as nuances de suas sensações, além de suas ações e reações aos estímulos específicos daquela vida, única em si mesma. Para a Homeopatia, cada caso é um caso único, embora a enxaqueca seja um conjunto de sintomas há muito delimitado.

Ao contrário da Alopatia, que constata que alguém está doente com enxaqueca, porque apresenta os sintomas dela, a Homeopatia procura entender porque e como a pessoa desenvolveu um conjunto de sintomas, no caso a enxaqueca. Para a Homeopatia, portanto a enxaqueca é apenas um conjunto de sintomas, que a pessoa doente acusou; ela poderia estar doente e apresentar sintomas diferentes, como os de úlcera estomacal ou de pneumonia. Cada organismo agindo e reagindo a seu modo, uma vida única em si mesma.

Os pacientes estão, em geral, acostumados a “identificar ” sua doença com a aparente disfunção de um órgão, como é a prática alopata. Como nem sempre os laboratoriais exames mais sofisticados registram com fidelidade disfunções de órgãos, impedindo um diagnóstico alopata preciso, há casos em que estes médicos se vêem diante da situação de simplesmente ter de confessar que “não encontraram nada nos exames”.

O fato é que mais e mais pacientes saem dos consultórios alopatas inseguros, pensando em buscar socorro de outro médico. Por isso mesmo, num volume cada vez maior de casos, alopatas têm diagnosticado viroses não identificadas, que procuram tratar com antibióticos do tipo mata-tudo, ou problemas nervosos, que buscam atacar com calmantes geradores de dependências químicas.

Embora os homeopatas possam enriquecer suas informações sobre os pacientes com os resultados dos mesmos exames laboratoriais requisitados por alopatas, eles dispõem de uma gama muito maior de dados, um histórico de vida, detalhes de situações anteriores ao aparecimento dos sintomas atuais, cujo conjunto é identificado como enxaqueca. Assim, os exames laboratoriais podem ser pedidos pelos homeopatas, mas com o intuito de confirmação de um diagnóstico, não na busca aleatória deste diagnóstico.

Para o médico homeopata, a Clínica é soberana. Antes de ser um homeopata, o médico tem de ser um perfeito Clínico Geral, que se utiliza de sua experiência em detectar sintomas pela ausculta, pelo tato, pela visão, e etc… O homeopata tem de ser treinado para, no uso de seus conhecimentos e bom senso, localizar o fator desencadeante do estado atual de seu paciente, da gravidade deste estado…

O homeopata sabe, antes de tudo, que sempre ocorre em primeiro lugar o desequilíbrio do ser como um todo, a pessoa perdeu sua sintonia fina com a vida, a harmonia do funcionamento dos órgãos de seu corpo, se debilitou, a saúde ficou prejudicada, o mal estar se instalou, a dor chegou. A imagem mais aproximada que se pode traçar para dar uma idéia mais clara é a da hora em que, ao se movimentar o dial de um rádio, perde-se a sintonia da emissora desejada, entrando em outra faixa de onda.

Está na perda desta sintonia, então, o início da enfermidade, manifestada em cada um de uma maneira peculiar, da mesma forma que não há um ser humano sequer integralmente igual a outro.

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