[Publicado no Epoch Times Portland, Ore. and New York Staff, em 04/jan/2006 e traduzido pelo Dr. Marcos Dias de Moraes]

A profilaxia homeopática, chamada freqüentemente de “Homeoprofilaxia”, significa impedir que a doença se manifeste com remédios homeopáticos. Mas poderia a Homeoprofilaxia proteger-nos de possíveis pandemias, como a da atual gripe do frango ou de um ataque bioterrorista?

A Homeopatia é um sistema completo de medicina que vem sendo usado continuamente desde seu início na Alemanha, por Samuel Hahnemann, mais precisamente desde 1796. O princípio básico da Homeopatia é “curentur do similibus do similia”, ou seja, deixar que “os semelhantes curem os semelhantes”. Hahnemann intuído deste princípio quando estava trabalhando como tradutor médico, ao ler um texto médico que informava sobre os efeitos da casca da chinchona (quinina), usada para tratar a malária, discordou da descrição do autor e fez uma tentativa de ele próprio tomar quinina. Acabou, então, experimentando inesperados sintomas da malária. Em um momento de inspiração divina, quis saber se os sintomas da malária que os pacientes apresentavam quando doentes eram similares aos efeitos produzidos pela quinina quando ingerida por uma pessoa saudável. Poderia uma pessoa saudável tomar uma substância e experimentar os mesmos sintomas de uma doença natural, e, assim, ser curada por essa mesma substância? Sua conclusão foi que sim. Mais tarde ele provou esta teoria, mas com doses muito menores do que as prescritas pela medicina alopática (tradicional).

Samuel Hahnemann,
(1755-1843), Fundador da Escola Médica Homeopática. (Franklin McCoy/
The Epoch Times)

.

A teoria mais próxima à lei dos similares que temos na medicina atual é utilizada nas vacinações, usadas para ativar o sistema imunológico. Isto é muito específico em um único patógeno (Patógeno – do grego Pathos , enfermidade e genein , produzir – é o adjetivo que se dá ao microorganismo que tem a propiedade de produzir doença nos seres humanos, animais ou plantas) ou agente, como o vírus da Pólio ou do Sarampo, enquanto a Homeoprofilaxia é muito mais geral e baseada em princípios diferentes. O homeopata olha o indivíduo por inteiro para ver todos os níveis – físicos, emocionais e mentais – para depois encontrar o remédio correto. Se nós desejarmos empregar a Homeoprofilaxia necessitamos encontrar o que Hahnemann denominou de “genus epidemicus” (um remédio homeopático que cure a doença em questão assim como previne outros casos).

Em seu artigo, “Profilaxia Homeopática: Fato ou Ficção”, o médico homeopata americano Will Taylor afirma: “A Homeoprofilaxia envolve o uso de remédios individuais, selecionados através de uma maneira individualizada e não de uma maneira rotineira, a fim de reduzir ou eliminar a morbidade de doenças epidêmicas e esporádicas contagiosas”. Hahnemann publicou primeiramente este princípio de profilaxia em 1801, ao descrever como impediu a propagação da escarlatina na Alemanha com Belladonna, um remédio que cobria o gênio epidêmico (genus epidemicus). Mais tarde usou outros remédios homeopáticos para tratar com sucesso a epidemia de febre tifóide de Leipzig, em 1813. Nesta epidemia, ele curou 180 pacientes e perdeu somente dois, uma taxa bem menor que a de 30% de mortalidade com os tratamentos médicos convencionais (alopatas) de seu tempo. A Homeopatia seria, então, uma solução viável para uma epidemia moderna ou a um ataque biológico? Esta colocação foi feita por W.L. Bonnell, ao ler um trabalho apresentado à Associação Internacional Hahnemanniana, em junho de 1940: “Nenhum paciente atendido pela Homeopatia veio a falecer, enquanto que os colegas alopatas perderam 20% de seus casos de sarampo… Dei aproximadamente 300 remédios homeopáticos: cinco a adultos que atuaram como enfermeiros práticos; ao homem que instalou o telefone e as luzes na casa que mantinha os doentes sendo cuidados; às mães que dormiram com suas crianças quando estas estavam com o sarampo em sua forma mais severa. Todos estes indivíduos, que estavam diariamente expostos à doença, estavam imunes”.

Um outro caso de séria epidemia tratada com sucesso pela Homeopatia foi documentado por Thomas L. Bradford, em seu livro “The Logic of Figures”, no qual indicou: “Nos registros de três anos de casos de difteria no condado de Broome, Nova York, de 1862 a 1864, havia um relatório de uma taxa de mortalidade da ordem dos 83,6% entre os alopatas e de 16,4% entre os homeopatas”.

Durante a pandemia de gripe espanhola em 1918, os médicos homeopatas documentaram mais de 62.000 casos tratados homeopaticamente, com uma taxa de mortalidade de 0,7%. Daquelas que foram hospitalizadas, a medicina convencional teve uma taxa de mortalidade de 30%, enquanto que 27.000 prontuários médicos tratados com a Homeopatia tiveram uma taxa de mortalidade de 1% (“Journal of the American Institute of Homeopathy” 1921; 13:1028-43).

Se a pandemia do frango ou um ataque bioterrorista ocorrer, a Homeoprofilaxia deverá ser considerada como uma alternativa.

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