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Homeopatia – ciência em evolução

Existem muitos estereótipos acerca da Homeopatia, muitas idéias errôneas que distorcem a sua finalidade, o seu potencial e os seus limites. Entre estes estereótipos está a noção de que a Homeopatia é uma ciência fixa e imutável, o que, obviamente, não é verdade. A Homeopatia tem evoluído diariamente graças ao trabalho de milhares de clínicos, cientistas, professores universitários e farmacêuticos que constantemente questionam o nosso conhecimento a fim de aumentar a efetividade destes medicamentos.

O debate entre as diferentes terapêuticas já está enferrujado e superado. Devemos promover a medicina como um todo. Uma medicina científica e humana, aberta aos progressos científicos e técnicos assim como aberta para ouvir a pessoa doente. Uma medicina voltada ao desenvolvimento máximo do potencial curativo de cada paciente no lugar de uma prática que usa métodos coercivos e agressivos que enfraquecem as defesas naturais do organismo. Uma medicina que não considera a doença como um inimigo a ser derrotado, mas uma manifestação de uma disfunção que deve ser compreendida e extinta com a cooperação da pessoa doente. Uma medicina que promove o conhecimento dos processos orgânicos, com o objetivo de orientar hábitos saudáveis de preservação da nossa saúde.

Este é o solo fértil onde a homeopatia germinou, cresceu e irá naturalmente florescer devido aos resultados da sua prática. Um médico não pode estabelecer um tratamento a priori, pois deve avaliar a cada caso qual a necessidade do seu paciente e qual o melhor caminho de retorno à saúde.

A Homeopatia não é um tipo de medicina, pois existe apenas uma Medicina: ela é a arte de integrar conhecimento científico, ouvir atentamente e observar com interesse o paciente como um ser único em sua individualidade. É a medicina que deve tratar a pessoa como um todo, e não apenas a Homeopatia.

É verdade que a escolha de um medicamento homeopático requer muito mais individualização que a escolha de um antibiótico, por exemplo. Após o diagnóstico da doença e a escolha da Homeopatia como o tratamento a ser feito, é trabalho do Homeopata determinar qual o medicamento que corresponde a este paciente com esta doença. Cada pessoa tem a sua própria gripe e a sua própria azia. Isto significa que cada um irá desenvolver sintomas que são só seus e que auxiliarão na escolha deste medicamento.

A pesquisa em Homeopatia não visa e não deve ter como objetivo convencer os incrédulos da sua utilidade. Se após 200 anos de resultados inquestionáveis alguém não quer reconhecer o potencial terapêutico da Homeopatia, não serão artigos científicos que atingirão tal proeza. A finalidade das nossas pesquisas é o constante aprimoramento da efetividade dos nossos medicamentos. Entendendo os motivos das nossas falhas terapêuticas, através de um maior conhecimento do mecanismo de ação dos medicamentos e a sua interação com o organismo e as diversas substâncias que ingerimos e respiramos neste nosso mundo em constante mudança.

Samuel Hahnemann não descobriu a Homeopatia ao acaso. Ele integrou diversas correntes de pensamento da sua época (início do século XIX) e culminou neste método terapêutico. É nosso dever estarmos atentos às mudanças que ocorrem nos dias de hoje para podermos retribuir à Homeopatia, através de descobertas e atualizações, os resultados excelentes que ela nos propicia na nossa prática diária.

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O Teste da Homeopatia – na visão de um físico

“A evidência obtida sob diferentes condições experimentais não pode ser compreendida dentro de uma visão reduzida, mas deve ser tomada como complementar no sentido de que apenas a totalidade do fenômeno exaure as informações acerca dos objetos” (Niels Bohr)

Em 1913 Niels Bohr propôs o mais didático modelo atômico conhecido até hoje. Um núcleo maciço central e elétrons girando em torno dele em órbitas circulares é o que quase qualquer aluno ou professor de física diria que espelha melhor um átomo. O fato de que anos depois o próprio Bohr sugeriu mudanças drásticas nesse modelo e na constituição básica da matéria não vem ao caso para a grande massa, mesmo porque os desenvolvimentos posteriores não são facilmente compreensíveis. Como se pode, por exemplo, entender que um elétron não está, mas tem apenas uma chance de estar em tal lugar? Ou que antes de se manifestar, ele é onda e partícula ao mesmo tempo? Como colocar isso num modelo didático? Do ponto de vista de um mundo clássico e concreto, impossível. Essa idéia simplesmente não cabe. Para se provar qualquer coisa em relação ao modelo atômico quântico, é preciso assumir os pressupostos quânticos, admitindo a possibilidade da essência da matéria ser algo mais que o simples concreto e mecânico.
Na verdade, em todos os setores da vida, cada um age conforme seus modelos de mundo que acabam gerando suas crenças e seus comportamentos. As pessoas costumam se agrupar em torno de modelos comuns na religião, na política, na ciência e na vida e a menos que seus modelos sejam mais abertos e abrangentes, acham que é o seu caminho que está certo e que o do vizinho está sempre errado. É o que pode ocorrer nas diferenças existentes entre alopatia e homeopatia se uma solução transdisciplinar não for proposta. O descobridor desta última, Samuel Hahnemann, admitia a existência do imaterial e defendeu a idéia de que seria esse imaterial que teria um grande efeito no ser humano que, por sua vez, também não seria limitado à matéria. O imaterial do medicamento homeopático agiria, então, pela lei dos semelhantes para induzir no paciente um estado dinâmico de funcionamento chamado de saúde. Portanto, sem a consideração da possibilidade de existência do espiritual no ser humano, a idéia de Hahnemann não pode chegar a fazer pleno sentido, pois o medicamento homeopático conta com esse cenário como pressuposto.
Ora, como, então, do ponto de vista do mecanicismo concreto provar o funcionamento da homeopatia? Poderia o materialista convicto pedir provas da existência do imaterial com a metodologia que, por princípio, o exclui? É por essa impossibilidade que surgem os fantásticos prêmios de um milhão de dólares. É interessante verificar que os argumentos dos céticos de renomadas universidades fazem muito eco com a incredulidade de fundamentalistas religiosos diante de experiências espirituais. Para esses arrogantes donos da verdade, o espiritual, se um dia puder se comprovar sua existência, pertenceria a outro departamento, bem de acordo com o modelo separatista de Descartes.
A Teoria do Caos, por outro lado, enfatiza que quanto mais os sistemas são abertos, mais susceptíveis ficam aos chamados “Efeitos Borboleta”, ou seja, à extrema sensibilidade a qualquer mínima interferência externa. É o caso de um sistema meteorológico, por exemplo. E é, igualmente, o caso do ser humano considerado pela homeopatia de Hahnemann. Para os mecanicistas, só a medicação alopática irá funcionar, já que essa é compatível com o seu modelo de ciência e de mundo. De outra forma, somente quando o ser humano se abre num processo contínuo de evolução da consciência, ele fica mais sensível, susceptível aos Efeitos Borboleta de qualquer tipo, afirmam os cientistas que trabalham com caos em psicologia transpessoal e saúde sistêmica. Nessa região de ação é que as técnicas sutis da medicina funcionam e o paciente fica mais vulnerável às dosagens mínimas de medicamentos dinamizados, mais flexível e mais criativo. É aí que fica mais fácil mudar padrões de alimentação, comportamento, relacionamento e outros que podem estar na origem dos desarranjos da saúde. Não se prega, contudo, a extinção da alopatia nessa nova visão, da mesma forma como não se pode pensar na abolição da física clássica. Porém, nessa abordagem mais ampla e transdisciplinar do ser humano, a alopatia deveria ser utilizada apenas em casos emergenciais, quando o sistema complexo pode ser reduzido. A sociedade, no entanto, age inconscientemente conforme o modelo no qual foi ensinada e formatada, e esse foi e ainda é predominantemente mecanicista.
Se mantiverem sua consciência expandida, os adeptos da homeopatia não deveriam gastar energia em provar sua eficácia com um teste final, mesmo porque da maneira que querem alguns alopatas, esse teste definitivo não existe. Deveriam, sim, manter o seu sistema de conhecimento sempre aberto, pois como dizem os especialistas em caos, só esse sistema aberto é que, criativo e auto-organizado, pode prover as pistas necessárias para a verdadeira evolução do ser humano.

Como são apresentados os medicamentos homeopáticos

A quantidade de medicamento pode ser expressa em peso, volume ou unidade. Por exemplo:

  • 10 g ou 120 tabletes;
  • 15 ml;
  • 3 papéis.

Quanto a apresentação, o medicamento homeopático pode ter as seguinte formas:Forma líquida

  • Para ser tomado em gotas, vem preparado em solução hidroalcóolica, que pode ou não ser diluída em água, na hora de tomar.
  • As doses únicas, são preparadas em água destilada ou solução hidroalcóolica, par ser tomada diretamente do frsaco ou conforme determinação médica.

Forma sólida

  • Glóbulos são grânulos de sacarose, que é o açúcar da cana-de-açúcar. Seu tamanho depende da padronização da farmácia. Devem ser chupados como balas.
  • Tabletes e comprimidos são preparações com lactose, o açúcar do leite. Variam de tamanho, de acordo com a padronização das farmácias. Os tabletes são facilmente dissolvidos na boca, enquanto os comprimidos levam mais tempo.
  • Pós (tabletes) são preparados em lactose e acondicionados em papelotes. Basta colocar o conteúdo do papel na boca, ou dissolver em um pouco de água.

O efeito terapêutico se mantém nas diferentes apresentações homeopáticas. As circunstâncias é que determinam a preferência.

O prazo de validade, dos medicamentos homeopáticos, ainda está em estudos para todas as formas, salvo a solução aquosa ou alcoolizada até 30%, estas deverão apresentar prazo de validade que garanta a qualidade de soluções perecíveis.

Ao fazer uso de um medicamento homeopático, certifique-se de que o líquido está límpido e os glóbulos, comprimidos, tabletes e papéis, sem alteração de cor e consistência e soltos.

Estas informações são divulgadas no Manual do Consumidor de Homeopatia elaborado pela ABFH (Associação Brasileira dos Farmacêuticos Homeopatas), que congrega os profissionais homeopatas da área de farmácia.

 

Uma ajuda de peso

Encontramos na revista “Homeopathy Today/June 2002“, este texto interessante sobre o emprego da Homeopatia no tratamento de elefantes.

Com o título “Homeopatia e Amor curam feridas dos gigantes dóceis“, a revista traz o relato da experiência do tratamento homeopático feito pelo trabalho voluntário de veterinários homeopatas no Santuário do Elefantes, localizado em Hohenwald, estado do Tennessee/USA [http://www.elephants.com/sanct.htm].

Quantas faculdades de medicina homeopática existiram no Brasil?

Encontramos um site muito interessante cuja responsável pela pesquisa, Verônica Pimenta Velloso, nos mostra nossa história. Em seu trabalho Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil – FioCruz podemos ver sua origem e desenrolar de muita história.

As faculdades, ao que parece, foram criadas nesta ordem:

– A Escola Suplementar de Medicina e Instituto Homeopático de Saí, instalados em novembro de 1842, na região do Saí, no Estado de Santa Catarina, foram as primeiras instituições de Homeopatia a serem implantadas no Brasil pelo francês Benoit Jules Mure.

– A Faculdade de Medicina Homeopática do Rio de Janeiro foi criada no dia 10 de abril de 1912, funcionando inicialmente num sobrado na rua do Hospício, atual Buenos Aires, na cidade do Rio de Janeiro. Alguns dos seus fundadores eram membros do Instituto Hahnemanniano do Brasil.
Faculdade Hahnemanniana, Escola de Medicina e Cirurgia do Instituto Hahnemanniano, Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Escola de Medicina e Cirurgia da Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado da Guanabara, Escola de Medicina e Cirurgia da Federação das Escolas Isoladas do Estado do Rio de Janeiro, Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade do Rio de Janeiro.

– A Faculdade de Medicina Homeopática do Rio Grande do Sul foi fundada em janeiro de 1914, tendo sido instalada à rua Riachuelo, na cidade de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul.

– A Escola Médico-Cirúrgica de Porto Alegre foi criada, em fevereiro de 1915, na cidade de Porto Alegre, como desdobramento da Faculdade de Medicina Homeopática do Rio Grande do Sul, absorvendo parte de seus alunos, além de ter herdado posteriormente o acervo patrimonial da extinta Faculdade de Ciências Médicas.

Já outras instituições homeopáticas assim foram nascendo
– O Instituto Homeopático do Brasil foi criado no dia 10 de dezembro de 1843 no município da Corte, pelo médico homeopata francês Benoit Jules Mure com fins de propagar a Homeopatia em favor das classes pobres, ficando sediado na rua São José, n.59, na cidade do Rio de Janeiro.

– A Escola Homeopática do Brasil foi criada por membros do Instituto Homeopático do Brasil, destacando-se entre eles os homeopatas João Vicente Martins e Benoit Jules Mure. Tinha por fim propagar a Homeopatia de Samuel Christian Friedrich Hahnemann, autor do livro “Organon da arte de curar”, publicado em Dresden, 1810. Os seus estatutos foram aprovados em 12/01/1845, ficando instalada no mesmo endereço do Instituto, à rua São José, n.59, na cidade do Rio de Janeiro.Entre 1858 e 1882, manteve-se fechada sendo reaberta neste último ano, com a denominação de Escola Livre de Medicina Homeopática, segundo notícia divulgada pelo Jornal do Commércio, não sabendo-se a data precisa de seu término.

– O Instituto Panecástico do Brasil foi fundado em 3 de maio de 1847, na cidade do Rio de Janeiro, pelo homeopata francês Benoit Jules Mure, presidente do Instituto Homeopático do Brasil e diretor da Escola Homeopática do Brasil.

– O Instituto Hahnemaniano Fluminense foi criado em data incerta, na cidade do Rio de Janeiro. Desde o ano de 1876 o Instituto já era mencionado em trabalhos sobre a história da Homeopatia no país e em periódicos.

Homeopatas ajudarão vítimas do Tsunami

A organização dos Homeopatas Sem Fronteiras – HSF , entidade de ajuda humanitária sediada na Europa, Estados Unidos e América Latina, informa que, no final de janeiro, estará enviando um grupo de médicos homeopatas ao Sri Lanka para prestar ajuda aos sobreviventes desta catástrofe. Trata-se de uma ação conjunta da FSF-França e HSF-USA.

A HSF é uma organização internacional, uma espécie de ONG, com diversas seções em nações na Europa, África e América Latina. Suas atividades principais estão voltadas para o treinamento da Homeopatia, para prestar ajuda humanitária e pesquisa homeopática.

A HSF foi criada na França em 1984, devido à necessidade urgente de proporcionar mais acesso ao tratamento médico nos países que oferecem assistência. Os profissionais são treinados a tratar com a Homeopatia as urgência médicas como: diarréias, febres, cólera, traumas físicos e psíquicos, infecções e problemas pediátricos.

Veja como as várias HSF estão atuando:

• África: Togo, Benin, Madagascar, Ghana e Quênia.

• Américas: Equador, Honduras e Perú.

• Europa: Sarajevo e Macedônia.

• Índia: no terremoto que assolou o país na década de 90.

Para maiores detalhes visite os sites:

• HSF Francesa – http://www.hsf-france.com

• HSF Alemã – http://www.hom-og.de

Quanto a ajuda que cada um pode oferecer aos sobreviventes, seguem alguma dicas do jornalista Carlos Alberto Teixeira, que morou por aquelas bandas. Alguns trechos importantes:

“A curto e longo prazo, o melhor jeito de ajudar é doar DINHEIRO”.

Roupas e comida têm que ser enviados de navio ou avião, o que leva tempo, sem contar que portos e aeroportos além de destruídos, estão absolutamente sobrecarregados. Dinheiro chega nos lugares afetados muito mais rápido e de maneira muito mais eficiente. ONGs conhecidas como a Cruz Vermelha, Care, UNICEF, WFO, OXFAM são experts em administrar esse dinheiro para as necessidades imediatas e reconstrução a longo prazo. (em geral, ONGs são mais eficientes que o próprio Governo). E a compra de comida e roupa nos mercados locais estimula a economia desses países, que também ficou arrasada. Qualquer ajuda faz diferença.

Reflexões sobre o fenômeno The Lancet: caos ou aprendizagem?

Assim como cataclismos assolam o planeta freqüentemente, a homeopatia também é vítima de investidas periódicas contra seus peculiares pressupostos científicos, carentes de estudos e comprovações contundentes, sobrevivendo aos escombros de tais catástrofes graças ao reconhecimento popular que esta prática terapêutica vem conquistando ao longo dos tempos.

Após tsunamis, terremotos e furacões, faz-se imprescindível o reconhecimento dos pontos suscetíveis das regiões atingidas e a mobilização de esforços para que medidas de contenção e prevenção destes fenômenos avassaladores possam ser planejadas e executadas. De forma análoga, precisamos reconhecer a fragilidade da pesquisa em homeopatia, tanto na quantidade quanto na qualidade metodológica dos estudos, fruto do desinteresse e despreparo da classe homeopática perante os avanços da ciência contemporânea, como a verdadeira suscetibilidade aos constantes ataques desferidos ao modelo científico homeopático. Isto pode ser facilmente constatado quando observamos o teor das críticas e preconceitos desferidos contra a acupuntura, comparativamente menor àqueles relacionados à homeopatia, em vista do número expressivamente maior de trabalhos científicos produzidos naquela área, apesar destas racionalidades médicas apresentarem modelos vitalistas semelhantes e “injustificados” perante o modelo científico dominante.

Como medidas de prevenção ao fenômeno The Lancet, deveríamos aproveitar estes movimentos depreciativos exteriores como meio de estimular a vitalidade do movimento homeopático brasileiro no sentido do desenvolvimento de protocolos científicos cada vez mais aperfeiçoados e condizentes com a episteme homeopática, ao invés de utilizarmos condutas paliativas ao mal maior, negando nossa inoperância científica e contentando-nos com o papel de vítimas indefesas do poderio macroeconômico da indústria farmacêutica. Como medidas de contenção aos efeitos danosos que as críticas ao modelo homeopático podem resultar, devemos avaliar se as “evidências” levantadas respeitam as peculiaridades do paradigma homeopático, informando e esclarecendo a população e a classe médica sobre as possíveis intenções escusas e os erros sistemáticos implícitos.

Em qualquer questionamento científico, devemos sempre frisar que a homeopatia se fundamenta em princípios distintos da medicina convencional, utilizando o princípio de cura pela similitude ao empregar doses infinitesimais de substâncias que, ao terem sido experimentadas previamente em pessoas sadias, apresentaram sintomas semelhantes aos do indivíduo doente. Na aplicação terapêutica destes pressupostos, valoriza a “individualidade humana”, selecionando dentre os milhares de substâncias experimentadas aquela que englobe a “totalidade de sintomas característicos de cada paciente” (nos aspectos mentais, gerais e clínicos), elegendo, para um mesmo tipo de doença, medicamentos distintos para cada indivíduo enfermo.

Com o conhecimento aventado pelas ciências modernas (física, físico-química, fisiologia, farmacologia, imunologia, epidemiologia clínica, etc.) adquirimos ferramentas que permitem validar as inovações do modelo hahnemanniano perante o paradigma científico moderno. Em vista disto, estudos nas áreas da pesquisa básica e da pesquisa clínica vêm procurando fundamentar os inusitados pressupostos e a prática clínica homeopática (1) e, apesar da proposta do “princípio de cura reacional” (princípio de cura pela similitude) vir despertando interesse crescente na racionalidade médica contemporânea, (2-6) causa estranheza ao pensamento cartesiano o fato das ultradiluições homeopáticas (em concentrações inferiores ao Número de Avogadro) produzirem sintomas em organismos vivos, fazendo com que se comparem os efeitos “inexplicáveis” do medicamento homeopático ao “efeito placebo”.

Dizendo-se interessados em estudar a relação dos efeitos clínicos do tratamento homeopático com o efeito placebo, Shang e cols. (7) publicaram recentemente no The Lancet um estudo comparativo entre ensaios clínicos homeopáticos e alopáticos placebo-controlados. Pareando 110 ensaios homeopáticos com 110 ensaios alopáticos segundo as mesmas doenças e os mesmos tipos de resultados (efeitos específicos), os autores classificaram os estudos segundo “critérios de qualidade metodológica clássicos” (número de participantes envolvidos, método de randomização, aplicação do método duplo-cego, tipo de publicação, cálculo do Odds ratio, etc.), se propondo a avaliar como os erros sistemáticos (vieses) na condução e na descrição dos estudos poderiam interferir na interpretação final dos resultados.

Numa primeira análise geral de todos os ensaios clínicos levantados, a maioria de baixa qualidade metodológica segundo os critérios anteriormente citados, os autores observaram que tanto a homeopatia quanto a alopatia mostraram sua efetividade perante o placebo (semelhante a metanálise de Linde e cols. (8) publicada no mesmo The Lancet em 1997). Entretanto, quando os erros sistemáticos foram valorizados, selecionando para análise apenas os “estudos de maior qualidade metodológica clássica”, escolhidos segundo o critério do “número de participantes envolvidos” (8 ensaios clínicos homeopáticos versus 6 ensaios clínicos convencionais), os resultados mostraram fraca evidência para um efeito específico dos medicamentos homeopáticos e forte evidência para os efeitos específicos de intervenções convencionais. Partindo da premissa que os efeitos específicos das ultradiluições homeopáticas são “implausíveis”, pela dificuldade de explicá-los segundo os parâmetros da pesquisa farmacológica dose-dependente, os autores concluíram que os efeitos clínicos da homeopatia são efeitos placebo.

Segundo a racionalidade científica homeopática, os ensaios clínicos homeopáticos deveriam priorizar como “critérios de alta qualidade metodológica” as seguintes premissas: individualização na escolha do medicamento (segundo a totalidade de sintomas característicos), das doses e das potências homeopáticas; período de acompanhamento suficiente para ajustar o medicamento à complexidade da individualidade enferma; avaliação da resposta global e dinâmica ao tratamento com o acompanhamento regular e a aplicação de questionários de qualidade de vida (e não apenas o desaparecimento momentâneo de um ou outro sintoma); etc. (9)

Na metanálise recém-publicada, estes “critérios homeopáticos de alta qualidade metodológica” não foram valorizados, pois apenas 16% dos ensaios clínicos homeopáticos selecionados inicialmente (e nenhum dos oito estudos de melhor qualidade metodológica clássica) respeitavam a “individualização na escolha do medicamento”, constituindo um viés ou erro sistemático de grande magnitude perante a epidemiologia clínica homeopática. A grande maioria dos ensaios clínicos selecionados apresentava desenhos impróprios à “clínica da individualidade”, empregando um mesmo medicamento (44%) ou uma mesma mistura de medicamentos (32%) para uma queixa clínica comum a todos os pacientes.

Tudo indica que esta publicação enviesada segundo as premissas do modelo homeopático, assim como o editorial (“The end of homoeopathy”) e outras duas matérias publicadas na mesma edição do The Lancet, apresentam o intuito implícito de desacreditar a homeopatia cientificamente, em vista da Organização Mundial de Saúde estar em vias de publicar um dossiê completo sobre os trabalhos de pesquisa em homeopatia, que conclui favoravelmente em prol da homeopatia.

Nas últimas décadas, o interesse da população pela homeopatia vem crescendo em todo o mundo, despertando as mais variadas reações na classe médica, (10,11) que anseia por respostas de pesquisadores imparciais aos diversos questionamentos que permeiam esta prática médica bi-secular. Evidenciando esta postura isenta, em contraposição ao preconceito generalizado que muitos homeopatas alimentam contra o meio acadêmico, pesquisadores e epidemiologistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), comprometidos com a ética científica, foram unânimes em endossar nossa crítica ao trabalho supracitado, questionando a postura sectária dos editores da revista.

Perante este cenário, vimos nos dedicando nos últimos anos ao exercício da criatividade na busca de modelos de pesquisa que fundamentem os pressupostos e a prática clínica homeopática, reconciliando o paradigma científico dominante com o paradigma científico homeopático, respeitando as premissas básicas de cada modelo, suplantando a cristalização dogmática que limita os horizontes do conhecimento humano.

Em nossa tese de doutorado junto ao Departamento de Clínica Médica da FMUSP, (12) estamos trabalhando com modelos de pesquisa clínica homeopática individualizada que visam avaliar, a médio e longo prazos, as implicações do “efeito placebo” e do “efeito consulta” nas melhoras clínicas e subjetivas dos pacientes, fatores aventados em qualquer discussão sobre a eficácia e a efetividade do medicamento homeopático em si. A não observância destes vieses faz com que superestimemos os resultados “rápidos e exclusivos” de nossa prática, que devem ser repensados de forma crítica e ponderada, quando arrogamos poderes ilimitados ao tratamento homeopático.

Como medida de prevenção para se evitar a formação de futuros furacões que possam vir a devastar cidades americanas inteiras, como vimos assistindo ultimamente, nos perguntamos se o ocorrido foi suficiente para sensibilizar os governantes da maior potência mundial a adotarem as medidas lentas e onerosas de preservação da temperatura global propagadas pelo Protocolo de Kyoto?

Como medida de prevenção para se evitar a formação de futuros movimentos contra o modelo científico homeopático, nos perguntamos se o episódio do The Lancet (assim como o do Fantástico no ano passado) foi suficiente para sensibilizar os homeopatas e suas instituições de classe a adotarem medidas lentas e onerosas de incentivo e facilitação à produção de trabalhos científicos de qualidade?